A proposta


Foto: Naira Mattia

Vivemos numa época na qual acreditamos que o acesso à consciência é via mental. Ter consciência virou sinônimo de entender de forma lógica e racional o que acontece à nossa volta. Isso nos dá uma sensação de controle sobre o que existe, e o controle alimenta o nosso ego de que estamos no domínio da nossa vida.


Esse controle também nos prende à mente, e subjuga o nosso corpo à ela. Criamos conceitos na nossa cabeça de quem somos ou devemos ser. Passamos a nos perceber e entender através de narrativas que contamos à nós mesmos de que somos demais ou de menos, em jogral com os julgamentos e preconceitos do que é melhor ou pior, do que é sucesso e fracasso, e o valor que damos a tudo.


Ecoamos todas as vozes externas que já ouvimos sobre o que é certo ou errado, de padrões de sucesso e prosperidade que carregamos na família, e do que é belo e feio com as referências que nos rodearam. Todas essas vozes externas se repetem diariamente na nossa cabeça, e já nem sabemos mais discernir a nossa própria voz em meio a tantas. O que que a minha voz diz? Qual o timbre da minha voz? O que repito e quero é mesmo o que quero? Ou quero o que meus pais acham que é melhor para mim? Ou que a sociedade julga ser melhor para mim?


Toda educação moderna é pautada em nos fazer pensar melhor. E mesmo com todo esse pensar, ainda não somos capazes de dominar o nosso próprio corpo, que age com vontades próprias, não indo dormir quando queremos, sem digerir direito tudo que queremos colocar para dentro e sem sentir tudo que a nossa mente gostaria que sentisse.


E estamos no poder. Construímos tecnologias e avanços que tornaram nossa vida mais eficientes em alguns séculos. Acumulamos riquezas que subiram impérios de concretos onde era apenas mato. Diminuímos distâncias no mundo com pontes e meios de transporte. Ganhamos tempo com a eficiência. Fomos até a Lua, e agora queremos Marte.

Mas mesmo assim ainda precisamos lidar com a crise da água, comida e do corpo. Temos que lidar com o ser humano que quer migrar para a nossa terra, que é do sexo oposto, de direita ou de esquerda, que está em cima ou embaixo. Essencialmente, ainda precisamos lidar com o outro. E com nós mesmos, que conseguimos criar tantas maravilhas, mas não conseguimos dormir direito, defecar regularmente, evitar dores crônicas que aparecem no mesmo lugar uma vida inteira. Quem sofre de qualquer forma de dor sabe como é difícil ser todo nosso potencial quando nosso corpo está em desequilíbrio.


Nosso cérebro tem sido o grande foco da nossa atenção, e buscamos alimentá-lo de todas as formas possíveis, dando a ele uma posição de imperador do nosso corpo. Para nós, entender é conseguir compreender através do nosso intelecto. Precisamos ver para sentir, ler para aprender, ter para ser. E mesmo com toda a evolução dessa inteligência lógica e racional que atingimos, criando altas tecnologias eficientes e agilizadas para gerar riquezas, seguimos adoecendo no mesmo ritmo da nossa evolução intelectual. O desequilíbrio na nossa saúde cresce proporcionalmente à nossa evolução, atingindo cada vez mais cedo crianças e adolescentes.


Foi nessa busca de explorar novos caminhos de aprendizados, que comecei a acessar a natureza. Desvendar a linguagem que o seu corpo fala. Na individualidade de cada um, sem colocar em caixas ou generalizar o que melhor ou pior. É aprender a se ver e aceitar como único, para então compreender a função que exercemos no todo e desempenhá-lo. Porque enquanto seguimos tentando achar receitas e fórmulas onde possamos caber, sempre haverá espaço para sentirmos inadequados e rejeitados. É a partir do momento que conseguirmos abraçar as nossas diferenças que conseguimos também acolher a alheia.

Castramos a nossa curiosidade de nos conhecer, caindo na reatividade de tentar caber no que é certo ou errado. Fomos condicionados uma vida inteira através da nossa educação que prioriza a inteligência mental para estimular e desenvolvê-la, nos desconectando com habilidades naturais dos sentidos como um todo.

É tempo de informação e acúmulo. Queremos saber de tudo, e falta tempo para nos especializarmos profundamente em todos os assuntos. Quanto mais informação recebemos, mais percebemos que precisamos correr atrás de mais. Nos tornamos extremamente racionais, apoiados no intelecto como força humana, deixando de lado o desenvolvimento das nossas capacidades emocionais. Quando o mundo começa a ruir fora, são as nossas estruturas internas que sustentam o processo de como iremos encarar tudo isso. É por estas estruturas internas que proponho começarmos a construir nosso mundo. E o principal componente delas é a emoção. Imagina como será quando dedicarmos tanta atenção, tempo e disposição para desenvolver nossas emoções e sentidos como fazemos com a razão e o intelecto.

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Fotos Pessoais: Naira Mattia & Bruna Hissae